Às vezes sou cultura, falo bonito, uso trechos literários, tenho postura. Mas de vez em quando brigo, sofro, uso as palavras da alma, aquelas que saem da boca num sentimento repentino. Às vezes viro uma estação de rádio, cito todos os mestres do rock que ouço, repito suas frases, gírias e palavrões, me agito como um Milkshake, lembro da Sue de um Tutti Frutti, canto "shake it up, baby, now, twist and shout", usando sempre as guitarras da mente! Em minutos fico apaixonado, falo das rosas e te descrevo em poucas palavras lembrando do perfume que exalas em todas as tardes. Tem dias que sou palhaço, não falo "coisa com coisa", brinco de brincar e ser feliz, tento comediar. Na tristeza fico mudo, sumo no mundo, guardo as tintas que esconderam meu rosto no dia do bobo. Viro fotógrafo, modelo, uso arte e espelho, revelo pra todos as fotos que se expandem de valor; um menino caindo tentando harmonizar no skate, o pôr do Sol num lugar sem graça que faz o momento mais lindo de todos. Recebo visitas, bebo chás e vitaminas, invento o jantar e a sobremesa, pego o chocolate, liquidificador, "que beleza!". Paro pra descansar, tenho o sofá. Os fantasmas tentam perturbar. Uso o dom e a inteligência, e uma oração vou criar. Falo de Deus, do seu amor, da sua presença e fico a imaginar. Às vezes só quero falar, lembrar, "hablar e hablar" que nada é em vão, nem mesmo os dias ruins que se vão. Ao lado de quem se amo, perto ou longe se pode tudo. Dias, horas, minutos, segundos... momentos que ficam, palavras que marcam, lágrimas que secam. História! Nós estamos nela. Tudo termina bem para aqueles que fazem o bem. Corro! Canto! Grito! Faço! Não importa o que pensam, e daí? Se errar a fala, cortar a cena, inverter as roupas, tento de novo até acertar. A missiva da noite é amor, o poeta osco só quer falar, disfarçar, andar e lá chegar.

Autor Leonardo Otaciano

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