'O Amuleto' em análise: veja o novo livro de Luciano Otaciano e entrevista exclusiva


Anteriormente, o site divulgou a publicação do livro do autor Luciano Otaciano, Os Adolescentes da Floresta de Xerém e o Amuleto da Imortalidade, uma curta novela fantástica muito sedutora. A matéria de hoje é um complemento da postagem anterior que marcou um momento muito importante no Marcas: o último lançamento do autor e a publicação de seu primeiro volume desta aventura repleta de fantasia. "O livro será uma duologia", afirma o autor, "e já está com o roteiro bem definido para o próximo volume". Mas, enquanto essa tirada não acontece, o Marcas preparou uma surpresa para o Luciano Otaciano, seus seguidores e futuros leitores a respeito desse Amuleto misterioso. Convidamos o autor para uma entrevista durante a resenha de seu livro e o deixamos bem à vontade para nos responder algumas questões.

Analisando o prefácio da obra, pode-se perceber o grau instigante e notório cujo o roteiro será apresentado. A premissa marca um rito de passagem da clássica chamada de histórias de aventura, onde a floresta torna-se o elemento principal, o centro de todos os acontecimentos intermediários e cruciais na trajetória dos personagens, que escolhidos pelo autor, com idades baixas, chamam a atenção do público jovem. A partir de então, a mesma floresta torna-se o instrumento base de uma metáfora muito interessante e bem articulada para a obra. Esta é mais uma aventura fantástica do autor em que a objetividade entra em pauta, porém, diferente da sua obra de estreia, Magia no Mundo da Fantasia (novembro de 2015), um ar mais tenso, sério e sombrio cerca todo o contexto da trama, que é muito bem apresentada no estilo novela, com falas importantíssimas, expressivas e que revelam personagens vivos e argumentativos. 

Arquivo Marcas: Foto contracapa do livro Os Adolescentes da Floresta de Xerém e o Amuleto da Imortalidade, 2017, autor Luciano Otaciano, publicação Clube de Autores.

Pegar carona nessa aventura pode ser uma escolha muito atrativa e, sem dúvida, muito reflexiva também. As falas exercem um papel muito importante para o enredo. Nos primeiros capítulos, ao ler os primeiros passos do grupo, o leitor encontra bons ensinamentos a respeito de amizade e diferenças. Com o encontro do grupo na vasta floresta de Xerém — local que existe na vida real e que é utilizado como título e cenário para a obra —, o leitor entende que para se criar laços de afeto e amizade é necessário que se aceite as diferenças; essa junção de pensamentos, atitudes e dualidades estão presentes na obra, assim como a questão da imortalidade, que segundo o autor é um tema muito questionável na sociedade contemporânea. O próprio afirma não conseguir compreender que, em pleno século 21, ainda existam muitas pessoas que fecham os olhos para essa verdade. "Nós, seres humanos somos imortais, o que morre é somente o nosso corpo físico, mas a nossa essência continuará viva por toda eternidade, podendo vir a reencarnar novamente em alguns casos. Precisamos abrir nossos olhos para uma nova realidade que se aproxima cada vez mais e precisamos estar cientes disso", revela Luciano, em entrevista ao Marcas Literárias.

Arquivo Marcas: Foto da diagramação do livro Os Adolescentes da Floresta de Xerém e o Amuleto da Imortalidade, 2017, autor Luciano Otaciano, publicação Clube de Autores. Um luxo. Impecável.

O domínio do autor na área da baixa fantasia e ao criar seus diálogos interpessoais — como em peças teatrais — é impressionante. Aplausos também para o enriquecimento da obra com características finas e de regionalidade nas falas e tratamentos das personagens, um para os outros durante a história. Segundo Luciano, o diferencial da obra é a mescla da fantasia com a realidade que, na verdade,  se fundem em um único propósito. "Quem me conhece de uma maneira mais íntima saberá que, como fã de Shakespeare, que em suas maravilhosas obras usava de diálogos, como em uma peça de teatro, eu resolvi fazê-lo. E, acredito que tenha ficado um trabalho bem feito, em relação a maneira como foi escrita, no formato novela". Quando questionado sobre a forte tese presente no livro baseada na amizade e nas diferenças, Luciano diz: "Para mim a amizade verdadeira é tão importante quanto o amor. Além de ser algo sublime, ainda ajuda na formação adequada do caráter de qualquer cidadão. Imagine o mundo sem amizades. Imaginou? Posso dizer que se uma pessoa não possui vínculos amigáveis com o outro, essa pessoa é como uma rocha. Uma matéria morta".

O autor também utilizou bastante figuras de linguagem na obra, tratando-a com muito esmero e dando um toque especial quanto a língua portuguesa. Ele utilizou personificações, ironias, ambiguidade e metáforas. Nos trechos: "Os olhos de Álvaro estavam acesos como a ponta de um cigarro" e "Brenda parecia a Bela adormecida, e só lhe faltava uma flor vermelha sobre o seu peito para que uma direta citação à fábula dos irmãos Grimm saísse da boca de Álvaro..." salientam a nossa afirmativa.

Arquivo Marcas: Foto da capa do livro Os Adolescentes da Floresta de Xerém e o Amuleto da Imortalidade, 2017, autor Luciano Otaciano, publicação Clube de Autores.

Verdadeiros valores são doados ao leitor através das atitudes do inesquecível grupo carioca. Determinação, persistência, coragem, sagacidade, a necessidade da adaptação e do trabalho em grupo são bons exemplos avistados em Os Adolescentes da Floresta de Xerém. Entretanto, como tudo tem o seu lado ruim, estes mesmos queridos personagens passam, indiretamente, uma série de comportamentos inaceitáveis para a o dia a dia quando pensa-se no duelo diante das situações adversas. Insegurança, arrogância, imediatismo, orgulho, egoísmo, ilusão e desconfiança são insignes comportamentos humanos que, quando não trabalhados, tornam-se um grande problema, como percebido em "O rosto de Bruno envelhecera cinco anos nas últimas cinco horas e, assim como ele, os demais, mesmo que expressassem suas esperanças por fora, não as nutria por dentro".
Um fato interessante é que o autor soube definir a ambientação padrão para o enredo, e este foi um ponto que tornou a leitura mais agradável. Pontos interessantes da fantasia medieval também podem ser apreciados, como a questão da alimentação e dos recursos utilizados em meio a selva. "Gosto muito da natureza pura e selvagem. Lembro-me imediatamente de meus ancestrais, o homem das cavernas que precisava caçar para se alimentar, precisava construir a sua própria moradia num ambiente hostil e completamente perigoso. Esse estilo de sobrevivência que o homem das cavernas possuía me fascina. A modernidade acabou por deixar o homem extremamente acomodado e preguiçoso".

Os capítulos do livro são bem curtinhos. Esse formato é diferente do que costuma-se ver em outras obras de fantasia onde livros chegam facilmente às 500 páginas. Luciano relata que suas obras, num geral, são curtas e diz não gostar de preencher páginas com informações desnecessárias: "O mais importante para mim é a mensagem que eu quero passar, se a mesma é transmitida, não há necessidade, ao meu ver de estender a obra". O comportamento humano é também um dos temas centrais da obra. O enredo em muitos momentos joga com a realidade nua e crua do comportamento da sociedade em um modo geral, e corta o clima aventura/fantasia do livro quando as personagens sombrias aclaram para os humanos as mais precisas circunstâncias de seus atos. O autor foi ousado em colocar os humanos como personagens aprendizes em sua história e apontá-los como inferiores, mas, segundo o próprio, estamos à anos luz de sermos os seres mais importantes do Universo. "A verdade é que o homem está fadado à sua própria ruína. O ser humano não é superior aos demônios. Esses mesmos demônios não são inferiores aos anjos. Os anjos não são seres mais que perfeitos, que foram criados pelo Criador para serem adorados como se fossem a perfeição. O Universo em si e toda sua magnitude incompreensível para a limitada mente humana não é uma peça de teatro, onde existem os bons e os maus, o certo e o errado. O Universo é infinitamente complexo, se olharmos com clareza, veremos que jamais compreenderemos todas as inúmeras  entidades que compõe uma coisa a que chamamos de Universo".

"Nós, seres humanos somos imortais...
a nossa essência continuará viva por
toda eternidade".
Nesse momento já se pode observar o clima mais tenso e sombrio que o livro começa a ganhar.I-N-C-R-Í-V-E-I-S. Este é o grande ápice do roteiro da novela. Deuses, criaturas das sombras, seres místicos e desconhecidos adentram maravilhosamente à obra. Luciano Otaciano deixa seu personagem à vontade e permite que ele tenha características do Criador (Deus) e do Traidor (Diabo). Essa analogia é interessante. A figura metafórica é encontrada em um dos ilustres participantes do núcleo sombrio da trama, que cá entre nós, é um dos melhores já criados pelo autor. A representação é tão sublime que passa ao leitor instantes de pura reflexão sobre a vida. Luciano utilizou em sua ficção, esses elementos bíblicos, religiosos, mitológicos, tanto conhecidos na vida real, e diz, no debate, que Deus e o diabo talvez sejam as entidades mais conhecidas em todo o Universo. "Morpheus também não deixa de ser um ícone entre as entidades existentes. A realidade faz parte da estória e para ser o mais verossímil na medida do possível é muito interessante tê-los na obra para assegurar uma coesão ímpar junto aos seres humanos e aos elementos fantásticos que a mesma possui". De maneira amistosa o livro reflete assuntos pertinentes a paradigmas religiosos como o fanatismo, a falta de fé e a crença a outros deuses. Ao ler O Amuleto, percebe-se que Luciano encoraja o leitor a usar suas essências e deixar de lado a enganação a si próprio. Isso é um fato muito significativo.

A obra é literalmente jogada em um cubo de surpresas agradáveis antes do término de seu primeiro volume e deixa a curiosidade no ar para o segundo tomo. O aparecimento de personagens cruciais e grandes revelações deixam os momentos finais

"Dentro da caverna, os adolescentes liderados por Álvaro, caminhavam em busca de novidades. Precisavam o quanto antes, encontrar a saída da gruta para, enfim, retornarem à floresta, só então estariam mais próximos de alcançarem o caminho de volta para casa". Infelizmente, para todo o leitor, chega o momento da despedida, onde se tem que deixar nas folhas do tomo, as suas memórias e personagens favoritos. Muitos leitores os trazem para a vida real, outros, se prendem por lá junto a eles. Essa definição de CASA quanto a lar, só pode ser feita de forma individual. Cada um volta para casa caso queira e tem, em si, o seu próprio entendimento sobre lar. Relato, através do artigo, a minha satisfação em ler e me encantar com Os Adolescentes da Floresta de Xerém e o Amuleto da Imortalidade, grande metáfora para uma melhor vivência e uso da sabedoria. Prefiro continuar dentro da história que é mais uma que marcou profundamente.

"A experiência de leitura é muito agradável.
O enredo te consome de uma maneira
muito interativa. Isso é ótimo."
Pra finalizar, deve ser ressaltado a apresentação dos personagens. O autor foi fiel até ao citar seus defeitos. Álvaro é o jovem de certa forma, prepotente. Brenda, orgulhosa. Bruno, equivocado em muitas ocasiões. Antonieta, além de extremamente murcha, resolve criar de maneira errônea, por vezes, um falso papel para esconder sua solidão. Entretanto, independente de seus epílogos, observa-se um crescimento mental/místico nos jovens ao final do enredo. Quando perguntado sobre esse crescimento e importância de os indivíduos (sociedade) começarem a agir como os menores seres em vez de sempre citarem-se como os mais adequados para tudo, o autor responde: "Nós seres humanos, sempre queremos ser os melhores em tudo. Temos dificuldade em reconhecer nossas limitações. No livro os personagens sofrerão um bocado para evoluírem, antes tarde do que nunca, não é verdade? A humanidade caminha a passos largos para uma Era desconhecida. Precisamos abrir os olhos, antes que não os deixem mais abrirem por nós mesmos". Enquanto o segundo volume não vem, resta a nós, ficarmos com essa reflexão profunda sobre a existência e dar os parabéns ao Luciano, crendo que a sequência seja ainda melhor.

"Ao atravessarem o portal os adolescentes viram um novo e estranho mundo onde o tempo e o espaço não existiam. Uma inexplicável sensação os tomava conta".


Ficha do livro

Título: Os Adolescentes da Floresta de Xerém
Subtítulo: e o Amuleto da Imortalidade
Autor: Luciano Otaciano
ISBN: B06Y2DLM82
Ano: 2017 / Páginas: 116
Gênero: Novela, Fantasia
Editora: Clube de Autores

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Contato com o autor

Página do livro: https://goo.gl/zgQfco

6 comentários:

  1. Que resenha incrível Leonardo! Fico feliz que a obra tenha lhe agradado. Abraços!

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  2. Quero leeeeeeeeer!
    E que legal finalmente ver o rosto do Luciano, hahaha.
    A foto dele é só os olhos. Estava curiosa. :P
    Eu amo fantasia, eu amo livros com diálogos fortes e com propósito.
    Adorei conhecer um pouco mais sobre a obra.
    Parabéns pelo lançamento! É sempre bom saber de mais lançamentos nacionais.

    Beijooos

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    www.livrosdateca.com

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    Respostas
    1. Teca, obrigado pela visita. Sempre bom ter você por aqui.
      A obra é maravilhosa, tenho certeza que irá gostar.
      É verdade, é sempre bom quando vemos os lançamentos dos nacionais.

      Beijos, e volte mais vezes.

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  3. Que resenha maravilhosa. Ual o Luciano é um ótimo escritor. PARABÉNS!!!!

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    1. Luh, tenho certeza que você vai gostar do livro.
      Deve fazer parte da sua coleção também.
      Fica a dica.

      Beijos.

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