Submerso


Sentia meu corpo se afogando. Minh'alma submergindo nas águas geladas do Atlântico. A visão ficava turva a cada metro imerso. O silêncio invadia os ouvidos.

Nas veias, o palpitar se findava.

No peito, o coração mexia-se lentamente.

O azul-escuro em nuance ao negro do abismo era uma das mais formosas visões.

As mãos, enfim, pararam de se mexer. Os desejos já pareciam morrer, antes mesmo do falecer do corpo, agora leve e satisfeito como ao completar uma ejaculação. A dor do remorso, a inquietude da dúvida, o questionamento do erro. Tão contraditórios. Menosprezíveis para o momento.

O encontro com o incerto aproximava-se, tão belo quanto um Picasso, tão sedutor quanto um Da Vinci. A marola das águas davam-lhe vida. Parecia roubar a minha. Aquela que eu nem tinha. Aquela que me roubaram.

Tragaram com paciência. Arrancaram, aos poucos, como pele de cordeiro. Como um lobo dizimado. 

A escuridão estava perto, e eu ainda pensava.

Os olhos, abertos e fitados, dilatavam-se à procura de esperança. A certeza proibiu-me de expressar o desejo de voltar e, naquele compasso, o vazio e a carne viraram um só.

Ao padecer da alma o falecer do corpo.

Ansiava-se depressa, o quão depressa possível, a face de Haurus no submerso escuro.

6 comentários:

  1. Parabéns Leonardo! O poema ficou magnífico, é sempre muito prazeroso ler poemas. Esse escrito por ti, apesar de um pouco triste ficou sublime. Abraço!

    ResponderExcluir
  2. Que lindo! Não parei de suspirar ao ler, ficou muito bom.
    Eu amo esse drama.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado Melissa!

      É bom quando o que escrevemos, consegue tocar aquele que lê.

      Excluir
  3. Parabéns, de tirar o fôlego sensacional!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Uau, que bom que gostou.
      Farei mais e postarei.

      Beijos.

      Excluir

Conheça mais sobre o fundador do Marcas Literárias

LIVROS DO AUTOR LUCIANO OTACIANO EM DESTAQUE

#PapoComAmanda: Especial Halloween

Artigos, crônicas, contos, poesias e destaques