Você tem 'Medo de Palhaço'? Encare essa enciclopédia sobre os palhaços mais assustadores


A coulrofobia é o termo psiquiátrico usado para definir o medo de palhaço, termo que por sinal nesses últimos anos vem sendo bastante usado novamente com a aparição de palhaços malvados em videos (câmeras escondidas), filmes e livros de terror. Pra quem não sabe, esse medo é mais comum em crianças, mas às vezes os adolescente e adultos também carregam a fobia, geralmente adquirida após situações traumáticas. Quando encontrei Medo de Palhaços na vitrine da Editora Évora, não pensei duas vezes em adquiri-lo para conhecer a formidável enciclopédia sobre os palhaços mais populares dessa cultura que nunca perde a força.

Desde criança sou um aficionado pelo mundo do horror e lembro-me que adorava assistir filmes onde surgiam palhaços assassinos como os antagonistas mais medonhos e bizarros. Foi ótimo relembrar, enquanto folheava essa beleza de obra, filmes, personagens, livros e histórias relacionadas ao mundo dos palhaços. Decerto foi um grande aprendizado também, visto que os queridos autores — Marcelo Milici, Filipe Falcão, Gabriel Paixão, Matheus Ferraz, Rodrigo Ramos — viajam desde a primeira aparição dessas figuras, incluindo a origem dos termos, até as suas derradeiras manifestações. O estilo próprio e bem interativo de escrita encontrado na enciclopédia, deixa o leitor bem à vontade com a leitura, como se autores, palhaços e leitores se abraçassem numa confraternização bizarra em busca dos fatos mais assustadores desse mundo tão sinistro da cinematografia e literatura. 


Medo de Palhaço / Vários autores / 288 páginas / 2016 / Fobia, Coulrofobia / COMPRAR

Em sua primeira obra, a equipe do Boca do Inferno procura os arrepios por sob as gargalhadas ao adentrar neste aflitivo picadeiro desde os primórdios do circo, buscando explicações na história e na psicologia. Os autores instigam pesadelos em tons rubros ao contar sobre os assustadores carnavalescos bate-bolas, o mito dos palhaços ladrões de órgãos e John Wayne Gacy, o verdadeiro palhaço assassino.



A instigação ao estilo bem medonho encontrada no prefácio de Matheus Ferraz — um dos fabulosos autores — é a porta de acesso a um documento super-atrativo, empolgante e significativo sobre os palhaços. A primeira frase do mega livro está estampada logo na primeira página e serve como modelo de partida para o que o leitor encontrará logo adiante: ''Nós todos flutuamos aqui!'', uma das sentenças mais arrepiantes do famoso Pennywise, criação do querido King em It: A Coisa. Na sequência, os autores conceituam termos, épocas e origens, deixando o leitor à par do mundo dos coloridos desde as suas primeiras aparições. O famosíssimo Bozo não poderia deixar de ser mencionado e está logo nos primeiros exemplos de palhaços que foram criados para animar a criançada, mas cá entre nós, sabemos muito bem que isso não aconteceu com todas as crianças, não é mesmo? Muitas delas sentiam pavor quando ouviam a chamada da versão brasileira produzida pelo SBT entre 1981 e 1990: ''Alô criançada, o Bozo chegou!''. Essas informações expressivas sobre os termos e o historicismo contido na enciclopédia, desmontam toda uma linha de tempo dos mais populares palhaços e ascende as trajetórias num contexto bem informativo e atraente, como a lembrança dos bobos da corte, clássicos na Idade Média, representantes que desafiavam as normas e zombavam com o propósito de divertir, com suas cores variadas e estranhos chapéus com guizos. 

Mas nem sempre foi assim. Com o passar do tempo, os traumas foram se tornando mais comuns e lendas urbanas surgiam para amedrontar ainda mais o grupo coulrofóbico. As crianças eram, e talvez ainda sejam, o grupo mais lesado pelo lado mais obscuro dos palhaços, que pegam como motivação, o cheiro de medo das mesmas. No tópico 'A lenda do palhaço que roubava órgãos', o leitor encontra uma sombria lenda muito bem detalhada e escrita capaz até de passar um alto teor de medo ao leitor através das páginas, e se depara também com um trecho muito formidável do conto 'As sete faces do horror' do autor Marcelo Milici. Tenho que ressaltar que a escrita do cara é viciante e foi mesmo uma pena somente ler um pequeno decurso da estonteante composição.



Clóvis — os terríveis bate-bolas do carnaval —, John Wayne Gacy — o palhaço assassino mais assustador e serial killer da história acusado de molestar e matar cerca de 29 garotos —, Pennywise — o palhaço sobrenatural mais horripilante do cinema e literatura —, Krusty — o palhaço do seriado animado os Simpsons — e Coringa — o Príncipe Palhaço do crime —, são citações importantes e rememorações presentes nesta fabulosa enciclopédia do medo, que traz ao leitor, análises críticas muito bem feitas pelos autores sobre diversos filmes onde os palhaços atuam como protagonistas, antagonistas ou simplesmente fazem suas participações rápidas, porém importantes para o desencadeamento do roteiro.

Há uma parte muito importante que gostei demais em Medo de Palhaço, onde os autores relembram com eficiência a história de Pennywise — também conhecido como Parcimonioso e Bob Cray — em It: A Coisa — tanto em filme quanto em livro. De início, o texto já elucida muito bem o capricho de Stephen King em criar Pennywise, colocando um ponto final na forma agradável de se ver um palhaço ao dar a Pennywise o poder sobrenatural de incorporar todos os medos das crianças. Esses aspectos entre a imagem do vilão e o medo daquele que o vê são muito bem revelados. É impossível não querer cair no sofá e ligar a TV pra rever o clássico do cinema ou reler as mais de mil páginas da obra de King, uma das minhas preferidas.



Voltando ao cinema, é preciso homologar a acribologia cinematográfica dos autores de Medo de Palhaço ao citar os personagens e filmes e analisá-los com acerto. É tudo muito perfeito. Passamos por Michael Myers, em Halloween: A Noite do Terror, de 1978; por Bobo, em Out of the dark, de 1988; por Zeebo, de Clube do Terror - O Conto da Gargalhada da Escuridão; por Plucky Pennywhistle, de Supernatural, temporada 7, onde Sam tem de enfrentar a sua fobia de palhaços; entre outros.

Num geral, percebe-se que os palhaços vilões do meio cinematográfico, literário ou até mesmo da vida real, são desafiados por seus psicológicos, que se tornam o ponto de partida para a iniciação de suas maldades, dessa forma, tornam-se futuros seriais killers, assassinos, pedófilos e deixam suas marcas da pior maneira possível. Por se tratar de uma enciclopédia, é quase impossível trazer todas as informações contidas no volume de maneira precisa. O melhor a fazer é indicar com firmeza o livro dos queridos autores produzido pela Editora Évora de maneira impecável, aliás, mais uma belíssima publicação da editora. Pra vocês que são apaixonados pelo cinema de horror onde essas figuras bizarras aparecem ou aficionados pela literatura dos palhaços, este é um exemplar mais do que necessário para a coleção. E se você é coulrofóbico, tem duas opções, passe longe da enciclopédia ou encare seu maior medo e arrisque-se em conhecer e/ou relembrar as caretas mais assustadoras desse universo pop.


7 comentários:

  1. Essa enciclopédia parece bem completa caro Leonardo! Não sou coulrofóbico, a palavra é tão bizarra quanto o medo que algumas pessoas têm de palhaços. Existem muitas fobias para tantas coisas, não é verdade! E para cada uma delas o nome dado é geralmente muito bizarro, quanto a resenha tá muito boa de se ler. Apesar de sucinta até que ficou completinha. Abraços!

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    1. Valeu Luciano, também passo longe de ser coulrofobico, acho que está mais fácil eu me tornar um palhaço sombrio do que ter medo deles.

      Abraços.

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  2. Taí um livro que não me veráááááá!
    Hahahahaha
    Eu tenho medo de terror, passo longe.
    E, CARA, ELES SÃO PALHAÇOS DO MAL!
    Hahahahaha
    Eu não tenho medo de palhaços, só dos que têm cara malignas, COMO ESSES.
    Então, não, obrigada. Prefiro dormir sem pesadelos o resto da vida.
    :P

    Beijooos

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    1. Oi Teca, uma pena que você não curta esses palhaços medonhos, rs.

      Obrigado pela visita, sua presença é sempre importante.

      Beijos.

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    2. Teca, eu escrevi um livro sobre um palhaço bastante Medonho, por isso me identifico bastante com o tema, além de já ser adorador do gênero terror desde a infância.

      Beijos.

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  3. Ai meu Deus quase sai correndo é horripilante. Quero ler!!!!
    São todos MEDONHOOOOOSSSS!!!!
    Parabéns

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    1. Luh, essa enciclopédia é a melhor de todas, bem completinha mesmo!
      Você não vai se arrepender!

      Beijos!

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