'Cogitando o Vermelho Ideal' às letras de Caroline Factum


Os movimentos literários, artísticos e culturais sempre andaram juntos durante a história da evolução da sociedade e reuniram, em tempos, grandes revoluções do cenário histórico, e assim como na psicologia, onde o comportamento do indivíduo e sua interação com o ambiente físico e mental se faz existente, os desejos e perturbações dos praticantes destes movimentos, eram as motivações principais para a criação do início de tais motins. Essa relação não é diferente levando em consideração os próprios argumentos individuais de conduta do ser humano. Em Cogitando o Vermelho Ideal, conto da querida autora Caroline Factum, encontrado inicialmente na plataforma do Wattpad, uma cadeia muito particular, porém existente no íntimo de cada personagem da vida real, é testemunhada pelos leitores, que já observam no introito da composição, a qualidade realística que encontraram durante a leitura. Assim como na fonética, os elementos mínimos da linguagem articulada pela autora na sua estruturação fazem a total diferença na sua representação literária.

Na verdade, não se trata de apenas um conto o conteúdo lido na plataforma. Uma excelente obra de arte na literatura nacional, de escrita extremamente arquitetada, como as refinadas e deslumbrantes pinturas clássicas do mundo dos artistas gigantes, é encontrada. Tentar entender a sagacidade da habilidosa autora é como tentar compreender as diversas nuances de belos lábios pintados em uma parede. As tonalidades frias de uma protagonista, que se juntam ao tom da doce literatura exposta no conto, controlando a expressão das emoções e buscando o arredio equilíbrio entre os sentimentos e a razão, relembra, ainda que em breves curvas, um contexto tímido do velho classicismo literário. Essa marca pode ser notada quando se lê o trecho: "As lembranças que tenho são seus naturais lábios, que beijavam-me religiosamente todas as noites e nessa embriaguez procuro a exatidão do vermelho para concluir meu quadro, quadro que não irá fenecer assim como seus jovens anos.", um dos momentos em que uma superfície filosófica manifesta-se com muita clareza partindo do profundo e misterioso prisma da narrativa.

As expressões dos figurantes, o detalhismo dos elementos e a forma com que a autora apresenta os desfechos da transição do intervalo romântico para a iniciação de uma perspectiva ansiosa cheia de torpor, levam o leitor a viajar por momentos históricos, como aos dos pintores clássicos da Europa, onde a literatura e a arte se misturavam com perfeição desde os séculos passados. Caroline Factum mostra mais uma vez, requintada prática e sabedoria expansível, provando que mesmo entre tantos gêneros artísticos e literários a se apreciar, desde o clássico ao moderno, muito ainda se pode criar, lapidar e transmitir, acareando os desejos ocultos de uma narradora, em partes, desconhecida com fragmentos de expressões desamarradas e audaciosas, como acontece em células poéticas do grandioso William Shakespeare; "Quisera examinar minha própria consciência com maior escrúpulo, no entanto, ansiava pela penumbra, o venerado Mockingbird e a dona que por meu mal viria beijar-me, desejando-me boa noite. Abandonando-me em anestesia, outrora tal como um cão faminto, sedento pelo mágico veneno. Quantas virtudes me fazeis odiar com distinções imperceptíveis a seus ternos olhos maternos.".

Em Cogitando o Vermelho Ideal, conto lacônico mas de finalidade, Carol seguiu, até certo momento, uma linha enredaria que trabalha com a apresentação de apenas uma intérprete, muito bem idealizada e retratada com sentimentos tolhidos. Após essa quota, o narrador, declarado neste artigo como (encoberto, profundo, intrigante), renasce por suas próprias palavras e desencadeia a mistura do suspense. Para quem já conhece o engenhoso lado da querida autora, cabe a apreciação de mais um ótimo trabalho. As surpresas são sedutoras ao leitor tanto quanto a um admirador de Mona Lisa. Em outras palavras, Carol faz de seu conto um momento "histórico" e ficcional muito agradável. A evidenciação de pessoalidades que confrontam seus próprios recursos emocionais e duradouros, entra em foco no momento em que as descobertas do meio surgem, afrontando suas expressões interiores e, antes, confinadas em um estado apático. Simplificando, a segunda parte do conto transmite uma inversão de propósitos em relação a protagonista. Exibe também holofotes voltados ao ser e não ao ambiente, como anteriormente analisado em alguns instantes iniciais. 

A autora conserva sua beleza em escrever e conduzir o enredo de maneira impecável, como os quadros mais conservados de um museu onde peças raras, tais como o conto do artigo, se exibem às almas tímidas do meio artístico e literário. Em algum momento é notável a musicalidade, que se encontra a um tom, agora, justaposto ao romantismo, exibindo a emoção do verdadeiro eu, do estado de espírito e do drama humano, característicos do século XIX. Em partes, um ar soturno ganha vida e deixa marcas obscuras no conto, tornando a narração sombria e revelando a verdadeira paixão de um narrador, oculto tal quanto o interior de macios lábios. Como em obras de autores de terror gótico, que revelam seus subsídios e epílogos mais aterradores, Cogitando o Vermelho Ideal reúne um conjunto de aspectos da mente (fenômenos emocionais/mentais) e uma urdidura que prende o leitor e que se entrelaça bem devagar. A qualquer momento é possível se pegar tentando compreender o interior e as razões da protagonista na procura por seu objetivo maior.

Carol Factum, neste conto, caminhou por ruas da literatura onde muitos poetas e autores escorregam, mas manteve-se segura e soube convergir o objetivo principal da narrativa. Quando escreve: "Sentia um misto de horror e remorso ao observar as ninfas sem lábios, todas enfileiradas, sentadas, a me olhar. Não sorriam. Não poderiam. Mas aguardavam ansiosamente com olhos vidrados que eu concluísse minha pintura", esclarece todas as interrogações e dá ao leitor a peça coringa de todo o quebra-cabeça. Sem sobras de dúvidas, o conto é magnífico e composto por revelações críticas da psicologia humana. Nesse quesito, a autora sempre dá um show. Cogitando o Vermelho Ideal é uma expressão livre e harmoniosa do lado mais indecifrável da mente e dos desejos humanos.


8 comentários:

  1. Uau! Que resenha esplêndida. Parabenizo autora do conto, parece daqueles contos de " Quero mais". Abraços!

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    1. Valeu Luciano. A cada nova obra que leio da Carol, espanto-me pela perfeição. Ela é genial.

      Leia este conto, você vai adorar.

      Abraço.

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  2. Obrigada Léo pelo carinho, é sempre uma honra receber uma critica de alguém com seu talento e profissionalismo!

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    1. Eu que agradeço novamente pela confiança em meus artigos e pelo presente aos leitores. Como leitor, digo e repito que há sou um grande fã de você como autora é de sua escrita incontestável. Digo também que é adorável ler algo tão harmonioso, uma verdadeira obra-prima.

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  3. Uau!
    Só com os trechos eu já gostei demais do conto.
    Que escrita linda, poética, viva!
    Adorei.
    Vou procurar para ler.
    :D

    Beijoooos

    www.casosacasoselivros.com

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    1. Teca, você vai adorar, tenho certeza.
      Obrigado pela visita, você é 10.

      Beijos!!!

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  4. Respostas
    1. Um dos melhores contos que já li esse ano.

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