O mundo segundo Cabret


A pouco tempo conheci um amigo especial, seu nome, HUGO CABRET. Ao conhecê-lo pude entender um pouco mais o mundo a minha volta, e com o barulho do tique-taque do relógio que soava em meus ouvidos, embarquei em uma poderosa aventura em que o fictício mais se parecia com o real a nossa volta.

Hugo tem semelhanças, características iguais a mim e você, sabe por quê? Pelo simples fato de que ele busca sempre usufruir do seu mundo, apreciar cada coisa, ou melhor dizendo, cada tique-taque que a vida lhe dá. E quando surge uma aventura, ele, assim como nós, nunca hesita em se aventurar, seja aventuras amorosas, aventuras em busca de uma vida digna, e por aí vai...

Somos tantos em um imenso mundo que muitas vezes não somos notados por todas as pessoas aqui existentes, mas somos notados apenas pelas essenciais. A dualidade entre a realidade a imaginação sempre caminharam conosco como em uma dança onde o casal em uma perfeita sincronia nos passos e nos gestos, segue a sinfonia da musica a tocar.

Assim convivemos com a realidade e a imaginação diariamente em nossas vidas. Já se pegou imaginando coisas absurdas e fora da realidade em que você está? Esses momentos é quando a imaginação invade nossa realidade para nos dizer em códigos e pensamentos: “Eu estou aqui”.

Tudo isso nada mais é que a fábrica de propósitos em nossas vidas, o que dá sentido de fazermos e corrermos em busca de determinadas coisas. Hugo me disse a seguinte frase quando estávamos olhando o céu de Paris por dentro do maior relógio da  estação ferroviária Gare Montparnasse. Ele me disse da seguinte forma: “Se você perde seu propósito… é como se você estivesse quebrado”. Fiquei por alguns segundos pensativo, pensando no que acabara de ouvir. É mais verídico do que aparenta, se perdemos totalmente nossos propósitos, nossos objetivos, somos como velhas máquinas sem funcionamento algum, abandonadas pelo tempo, e pouco a pouco sendo consumidas pela ferrugem do “desacreditar”.

É fascinante como poucas palavras podem dizer muito em nossa vida. A noite estava quase no fim e minha aventura com meu amigo Cabret estava quase terminando, mas antes de despedir-me de meu amigo, ele me levou em seu quarto para me mostrar um dos seus tesouros mais valiosos, fiquei atônico e ao mesmo tempo curioso. Quando chegamos envoltos a um ar de mistério, ele retirou um pano que estava cobrindo algo que, ao revelá-lo, nada mais era que como um homem máquina.

Homem máquina Hugo? Perguntei impressionado, ele sorriu e me disse:

Esse é um autômato, mas não deixa de se parecer muito com cada um de nós.

Ele conclui dizendo:

Gosto de imaginar que o mundo é uma grande máquina. Você sabe, máquinas nunca tem partes extras. Elas têm o número e tipo exato das partes que precisam. Então imagino que se o mundo é uma grande máquina, eu também estou nele por algum motivo. E isso significa que você também está aqui por alguma razão.

Não contive a emoção naquele momento, era como se tivesse aberto minha mente para uma realidade que a pouco ousamos em conhecer sobre nós mesmos.

A forma como ele comparou cada um de nós como máquinas e que cada um tinha um número exato de partes que se precisavam, levei a crer que tudo que acontece em nossas vidas, em nossos cotidianos, se choramos, se sorrimos ou se ficamos frustrados ou ansiosos, se nos ferimos ou se nos molhamos, ou quem sabe até mesmo se corremos ou simplesmente sentamos em uma cadeira, tudo tem uma lógica e tudo acontece em seu devido tempo e lugar, nada vem por muito e muito pouco virá por pouco.

O meu relógio de bolso apitou, estava na hora de voltar para casa, com um enorme aperto no coração tive que me despedir de Cabret. Saí correndo pela enorme estação enquanto meu amigo Hugo corria por entre os labirintos que existiam nas paredes da estação. Mais do que depressa entrei no meu trem que estava partindo, voltando para minha realidade — o agora — e enquanto estava eu observando todo aquele universo por entre aquela minúscula janelinha do trem, pensei em diversas coisas, e uma delas gostaria de compartilhar com vocês.

A vida é um grande relógio e nós somos cada partezinha que compõe o relógio por dentro, umas são minúsculas, outras médias, e tem as outras peças maiores, mas nenhuma, sequer nenhuma, jamais deixará de ser importante para que a vida tenha um sentido, para que o tique-taque não cesse, para que a dança da realidade e da imaginação nunca termine e para que nós, máquinas humanas, possamos até a última contagem do tempo, executarmos com precisão aquilo que nos foi designados a executar.

Agora alguns quilômetros longe da estação, somente conseguia ver uma tela em branco. Foi quando abri meus olhos e voltei para casa, para minha outra realidade de vida, e aqui estou eu que vus falo e testifico essa aventura ao qual foi guiado pelo genuíno garoto relojoeiro Hugo Cabret!

Texto: Emídio Penariol

6 comentários:

  1. Obrigado pela divulgação ❤ Super indico a leitura do livro- "A invenção de Hugo Cabret"- Brian Selznick. ❤❤❤❤❤❤

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    1. O site está sempre a sua disposição para eventuais momentos.
      Você é de casa já! <3

      abraços

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  2. Muito bom!Adorei conhecer um pouco de Hugo Cabret. Parabéns pela divulgação Emídio. Abração!!

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  3. Bela inspiração, a história de Cabret é linda e cativante. al´m de nos envolver com uma essência infante marcante, nos transmite diversos ensinamentos que levamos para a vida toda como belas reflexões.

    Parabéns pela brilhante escrita. Sou teu fã, rapaz. Você é genial e repleto de talento.

    abraços!

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  4. Léo adorei que lindo!!!! Hoje eu precisava ler estas palavras tão inspiradoras pra a Vida. Precisamos sonhar muito e viver estes momentos fantásticos!!! Agora quero ler o livro e viajar pelo universo e conhecer cada partezinha deste enorme relógio que é a vida!!!!
    Parabéns!!!!!

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    1. Obrigado pela visita, Luh. Ficou realmente lindo o texto do querido Emídio.

      Beijos!!!

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