1920: H. P. Lovecraft e 'Os Gatos de Ulthar' indicados ao Dia das Bruxas


E se nesse Dia das Bruxas a sua casa amanhecesse repleta de gatos, grandes e pequenos, pretos, cinzentos, rajados, brancos e amarelos? E se em sua cidade fosse declarada uma lei que proibisse o assassinato de gatos? Como se sabe desde a antiguidade, os gatos são criaturas dóceis, entretanto carregam mistérios no olhar e são tidos como sagrados em diversas regiões do mundo. Seguindo a forte idealização de H. P. Lovecraft, um dos mais influentes autores do século XX da literatura fantástica, na cidade de Ulthar, matar um gato tornou-se proibido, entretanto, como comumente ocorre, as leis são desobedecidas e quando as regras são quebradas, há punição. O Marcas Literárias foi atrás de mais um clássico da literatura mundial e eis que achou ''Os Gatos de Ulthar'', escrito em 1920 por H. P. Lovecraft.


Os Gatos de Ulthar / Conto / H. P. Lovecraft / 3 páginas / 1920 / Terror


Numa terra muito estranha, há uma lei inflexível: nenhuma pessoa pode matar um gato. Em Ulthar, antes que os cidadãos proibissem a matança de gatos, viviam um velho camponês e sua mulher, que se divertiam capturando e matando os gatos dos vizinhos. Mas, um certo dia, uma caravana de estranhos peregrinos entra na velha cidade, trazendo consigo a vingança e a terrível maldição...


Em ''Os Gatos de Ulthar'', conto do magnífico H. P. Lovecraft, uma das suas mais famosas composições e estudado bastante no meio literário passado e contemporâneo, o ar mágico e macabro sobrecarrega o ambiente que, com forte predominância das características do autor, como o miticismo, onde a crença do contato humano com divindades é o ponto central, exerce sobre o leitor doses imediatas de temor ao defrontá-lo com antigos cultos da civilização egípcia; cerimônias macabras como já conhecidas na história dos antigos Faraós e das clássicas esfinges e pirâmides.

''Todos os bichanos de todas as casas desapareceram: gatos grandes e pequenos, pretos, cinzentos, rajados, brancos, amarelos... O burgomestre Kranos jurou que o povo moreno levara embora os gatos como vingança e praguejava contra a caravana e o menino. Mas Nith, o tabelião esquelético, dizia que o velho casal do bosque era suspeito, já que seu ódio aos gatos era conhecido e cada vez mais ameaçador.''

Há quem diga que em ''Os Gatos de Ulthar'' a predominância da fantasia, gênero recorrente do autor, torna-se o ápice do contexto, que apresenta personagens esquisitos o bastante, sombrios em seus trejeitos e marcantes por seus atos. Entretanto, é certo afirmar que essa união do universo mágico com a bruma tétrica, fazem do conto, um referencial no gênero, e atrai pela compreensibilidade narrativa e também pela veracidade cultural e religiosa. 

O rito dos gatos de Ulthar simboliza, além da evidente apreciação pelo componente lutuoso, a pintura de um protesto por exibir abertamente consequências drásticas a certos personagens em razão da maldição de Menes, criança que jornadeia com seu gatinho preto e sua caravana e passa de visita em Ulthar. O conto traz referências sintomáticas às pragas do antigo Egito e demonstra a forte tonalidade narrativa do autor americano.

''E nessa caravana singular vinha um garoto pequeno que, sem ter pai nem mãe, tinha só um gatinho preto como companheiro. A peste havia castigado sua vida... E esse menino de pele escura, chamado de Menes por seu povo, ria muito mais do que chorava, a se distrair com as brincadeiras cheias de graça de seu bichano...''

Quem ler ''Os Gatos de Ulthar'' irá se envolver com o conto preferido do autor e se apaixonar — ou se horrorizar — com o desfecho bem consentâneo da narrativa. Embora não haja nesta composição a presença do habitual terror cósmico e filosófico que H. P. Lovecraft carrega, a comparência sutil do satanismo pode ser reverenciada em contrapartida. Enquanto os velhinhos da pequena e escura chácara em Ulthar são conferidos pelos leitores e os gatos da cidade lambem quase sem parar os seus finos lábios, Menes e seu gatinho preto continuam a jornada junto a caravana misteriosa. Neste Dia das Bruxas apareça na praça de sua cidade para receber o menino viajante, mas leve um gato com você, o garoto certamente apreciará sua ação e não fará uma travessura.


4 comentários:

  1. Belíssima indicação também! Lovecraft um autor para nunca ser esquecido, suas obras foram inspiradas em seus pesadelos, com sensações reais, este tem influenciado muitas gerações de escritores de ficção, e quem o influenciou de certo modo foi Edgar Allan Poe.
    Lovecraft, é na verdade um dos poucos na literatura que não teve meio termo, este se ateve apenas para o terror, talvez por que este vivia diferente de muitos, pois este possuía uma rara doença que o deixava frio... e diante disso pode ter se voltado totalmente para um mundo sombrio e ... rs. Eu que achooooo. Muito boa a tua apresentação.

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    1. Grato novamente por tuas complementações. É bom quando sabemos tão bem dos autores e de influências que o faz lançar nas composições, tantas maravilhas.

      Beijos, obrigado.

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  2. Muito bom a sua indicação Leonardo. A resenha tá excelente, eu gosto por demais de Lovecraft, sua escrita é primorosa ao extremo, dentre os mestres do gênero, Lovecraft é o meu preferido. Forte abraço!

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    1. Valeu Luciano, Lovecraft tem uma singularidade fantástica mesmo. É incrível como ele consegue usar de elementos filosóficos e astrológicos em muitas de suas obras e momentos. O cara é de verdade espetacular.

      Abraços.

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