Edgard Alan Poe e 'O Corvo' são convidados especiais para o Dia das Bruxas


Esta semana do Dia das Bruxas merece postagens especiais, e o Marcas Literárias não pode deixar que essa data tão importante para os amantes do terror passe desapercebida nas páginas do site. Depois do artigo de indicação de verdadeiros talentos brasileiros que não têm medo de atrair seus públicos ao mundo do horror nacional, o Marcas Literárias traz uma apresentação também especial do conto poema ''O Corvo'', escrito por Edgard Alan Poe em 1845, quatro anos antes de sua morte, um inesquecível clássico da literatura mundial. Feche as portas de sua casa e cubra-se muito bem para não receber este misterioso pássaro negro nesta noite, ele é um verídico presságio do fim da vida.


O Corvo / Conto / Edgard Alan Poe / 9 páginas / 1845 / Poema / Terror


Atormentado pela morte da amada Lenora, o narrador enfrenta seus fantasmas e confronta seu lado obscuro, materializado aqui na figura enigmática de um corvo. 


Em específico, o artigo aqui apresentado terá o foco principal voltado para o autor e o conto, pormenorizando características da escrita e explorando brevemente o poeta. Que Edgard Alan Poe foi um exímio escritor e poeta, todos já sabem, mas nem sempre os leitores param para perceber a profundidade de suas anotações literárias. Esta, por exemplo, dá uma noção perfeita de toda a capacidade que o autor conseguia expor até mesmo de forma breve. Com sua morte em 1849, alguns leitores até definem o poema ''O Corvo'' como a verdadeira premonição do autor para o seu fim, e mesmo que em sua narrativa o enredo não tenha sentido algum com tal hipótese, vale a pena, ainda mais nesta época do ano, porfiar este pensamento. Contudo, a verdade é que Edgard Alan Poe, percursor de tantos outros gêneros literários, como o fantástico, o gótico, a ficção científica e a novela policial, foi simplesmente magistral ao apresentar em ritmo poético os instantes de um ilustre visitante na meia-noite fria de algum dezembro, que gera, sempre que debatido, diferentes pontos de vista em tantos críticos da literatura. O certo é que a melodia tenebrosa é sentida no mais íntimo das almas de narrador e leitor, que mesmo leigo em teses de tal espécie, é capaz de se metamorfizar através das frases profundas do poeta, que em nenhum momento mede palavras ao descrever lúgubre e perfeitamente a anunciação do belo pássaro sombrio.

''Tão claramente me lembro! Era o gelo de dezembro;
e o fogo lançava – lembro – no chão manchas fantasmais.
Pela aurora eu suspirava e nos livros procurava
esquecer a que ora errava entre as legiões celestiais –
aquela que hoje é Lenore entre as legiões celestiais,
sem nome aqui por jamais.''

A temática do belíssimo poema é caracterizada por traços originais do romantismo, não deixando de lado todo o sentido e plano sobrenatural que envolve os personagens, até mesmo o mais lamuriado. A narrativa e a beleza de suas suaves rimas circulam em torno da excelente musicalidade dada ao momento vivido e a representação do estado espiritual lastimoso do personagem central e da morte em sua passagem inevitável é, de fato, uma habilidade nobre que poucos autores conseguiriam expressar tão bem. O sentido principal do poema é enxergado através dos pesares do personagem que, em muitos momentos, acredita-se ser o próprio poeta, afinal, quem escreve deita no papel os seus sentimentos e vida, transformando suas personagens em pedaços de si próprios como disse o romancista e cronista brasileiro Graciliano Ramos. 

Aquele que lê ''O Corvo'' se depara com toda a beleza poética sobrenatural exprimida com facilidade e acompanhada de uma intensidade singular suave. Na composição de Edgard Alan Poe, fica evidente todas as suas mais peculiares características. Os mistérios da ancestral ave negra e a inquietude incontestável do personagem são, sem dúvida, instantes marcantes no conto, que carrega abertamente a natureza do estilo do autor; traçados góticos que, por quase norma, buscam desviar o leitor do senso comum cultural da época. Talvez, por esta marca específica, Edgard Alan Poe tenha se tornado tão destacado entre outros bons autores e poetas de sua geração e pós-geração. 

''Profeta ou demônio” – eu disse – “que uma asa negra vestisse!
Pelo alto Céu que nos cobre, pelo bom Deus dos mortais,
dize a esta alma – te conjuro – se nalgum Éden futuro
ela há de rever o puro ser que agora não vê mais,
de Lenore o ser radiante e puro que não vê mais.”
Disse o Corvo: “Nunca mais.''

O universo obscuro e seus elementos mais propícios podem até parecer meros clichês do gênero mais favorável ao novo e desconhecido, porém, com maestria, Poe entorna sobre o seu público leitor, uma porção insubstituível de seu próprio e inebriante efeito literário. A poesia ''O Corvo'' inquieta até mesmo a alma mais desfalecida externando a formosura do universo negro e de personagens melancólicos. Sem pressa e sem medo, é um ótimo conto para se ler por estas noites que antecedem o Dia das Bruxas. Edgard Alan Poe se foi, mas deixou partes deliciosas de sua herança para os apreciadores do oposto em todos os sentidos. O ar soturno deste magnífico poema merece ser sentido até mesmo por aqueles que ainda não o conhecem. A exposição do repulsivo tornou-se um dos melhores momentos e habilidades deste grande mestre da literatura mundial.

Que viva ''O Corvo'', Lenore, Pallas e o seu criador!

10 comentários:


  1. Que resenha maravilhosa Leonardo! Poxa, parabéns. Esse é um dos contos mais aclamados de um dos mestres do terror. Poe é sensacional, merece estar dentre os melhores do gênero. Incrível ele ter usado de forma poética, a base pra esse conto tenebroso, é simplesmente genial. Forte abraço!

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    1. Esse poema é realmente fantástico, genial, tanto quanto o seu criador. Poe merece todo o destaque mesmo.

      Obrigado pela presença, Luciano.

      Abraços.

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    2. Valeu pelos elogios, Luciano. Apresentar este clássico aqui no Marcas foi demais!!!

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  2. Olá Léo!Sempre quis ler esse poema do grande Poe, mas fui deixando de lado. Ao ler sua resenha, e diga se de passagem, tão bem escrita, procurei o poema e que perfeito hein?! O bom resenhista é assim, ele nos instiga a ler o livro do qual nos fala. Poe foi magistral ao criar essa obra. Ouvir do corvo um "Nunca mais" é algo que só a mente criativa de um escritor poderia inventar. Parabéns pela resenha! Ah, e pela cara nova do blog. Está tudo tão bem organizado. Abraço.

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    1. Ademilson, amigo, feliz por sua presença e grato pelos elogios. Tenho certeza que o ar soturno do poema lhe envolveu tanto quanto a mim.

      Percebo que você é fã dos clássicos e isso me faz ser ainda mais teu fã,afinal, clássicos são sempre especiais.

      Abraços.

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    2. Léo, foram os clássicos que me levaram à literatura. Quando entrei pela primeira vez no seu blog, percebi seu apreço por eles e, claro, notei nitidamente sua escrita, tão bem elaborada, influenciada por eles. Tb sou seu fã. Abração.

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    3. Sou fã declarado dos autores clássicos mesmo, e em breve, por aqui no novo site do Marcas, haverá uma sequência de matérias destinadas a eles, que como bem observado por você, faz parte da minha formação e influenciaram-me tão bem.

      Abraços.

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  3. Uauu, muito boa indicação! o autor apesar de ter tido uma vida desregrada, foi a maior figura do romantismo americano e o mais conhecido universalmente. Seus poemas são admirável, e a composição de O corvo, este se tornou o mas visto e sem sobra de duvida é um dos mais lido e apreciado. Não foi a toa que autores de renome fora influenciados por essa figura a exemplo de Agatha Christie, Conan Doyle e tantos outros. Muito boa tua resenha, parabéns moço!

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    1. Obrigado querida Geh, suas palavras como de costume são, na verdade, uma adição simplesmente perfeita.

      Obrigado pela presença marcante nesse humilde cantinho.

      Beijos.

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